novembro 27, 2014

por Danielli Guirado

Resenha: A Hora da Estrela {Clarice Lispector}

Autor: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 88
Nota Skoob: 3/5



"É que "Quem sou eu?" provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto."
[Rodrigo - pág. 16]

E aí que 10 anos depois ~ velha ~, eu resolvo dar outra chance para A Hora da Estrela, último livro da Clarice Lispector e presente nas listas dos vestibulares por aí há um bom tempo! Eu inclusive li a primeira vez exatamente para o vestibular e minhas lembranças são péssimas!! Hahaha

Na época achei o livro incrivelmente depressivo e parado. Hoje digo para vocês que ALÉM DE depressivo (rsrs) ele é muito reflexivo e me fez pensar sobre questões que eu não queria como: nossa finitude, nossa inutilidade no mundo (afinal de contas, o mundo sem os humanos funcionaria muito melhor, certo? Quem sentiria falta de nós além de nossa própria espécie? Entre outras questões filosóficas e existenciais! rs) e o fato de que ninguém em nenhum lugar é insubstituível - a não ser para as pessoas que nos amam.

"Também sei das coisas por estar vivendo. Quem vive sabe, mesmo sem saber que sabe."
[Rodrigo - pág. 12]

Enfrentamos estas questões com sonhos, objetivos, ambições, amor e crenças e tentamos, de um jeito ou de outro, SER a diferença. Desde pequenos nos perguntam: "o que você quer SER quando crescer?", porque só SER não é suficiente, para mim pelo menos não é e para todo os outros parece que também não. Eu QUERO SER importante, eu SOU importante! Todos nós queremos e nos achamos assim, vide a urgência em conseguir curtidas em instagrams e facebooks da vida; em procurar aquela pessoa que ame só a nós o resto da vida, em encontrar um grupo de amigos para dividir o restante, em ser aceito!! E aí vem Clarice e fala: "não queridinho, todos viemos do mesmo lugar, vamos para o mesmo lugar e nada fará diferença alguma"!

Agora me diz se não é depressivo? Hahahahaha

Em A Hora da Estrela, Rodrigo S.M vê na rua uma nordestina simples passando e surge em sua cabeça uma história sobre ela que ele precisa desabafar senão enlouquecerá. A história que ele conta é a de Macabéa, alagoana criada pela tia que não possui nenhuma dessas características que comentei acima: ela só existe, vive quase que na miséria e acha que é suficiente, que é assim que tem que ser, não existe vida melhor e nem tem porque persegui-la se existir.

"Pois que a vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende. Só que ela não sabia qual era o botão de acender."
[Rodrigo - pág. 29]

Glória, sua colega de trabalho traíra e Olimpico de Jesus, o babaca aproveitador que quer ser deputado, são os únicos personagens com quem Macabéa interage e vemos o contraste explicito entre seu jeito simplório com o jeito expansivo e dominante de ambos! São as únicas pessoas, no entanto, que dão existência à Macabéa e quando esta finalmente pensa que É ALGUÉM e MERECE VIVER, SER E TER tudo o que quiser, acontece o final! rs

Ao longo do livro, Rodrigo interrompe a narrativa muitas vezes para descrever as agruras de escrever uma história, de ser um autor e de usar a escrita como a ação que o define e lhe dá um lugar no mundo e também que nesta história em particular, ele não sabe o que acontecerá, pois ela criou vida própria em sua cabeça. Li algumas resenhas de gente que não curtiu isso, mas eu gostei muito dessas "sacudidas", já que a história de Macabéa, para mim, continua sendo parada e sem grandes emoções, a não ser no final.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."
[Rodrigo - pág. 21]

É difícil dar uma nota para este tipo de livro, que não foi uma diversão, mas ao mesmo tempo é um livro de muita qualidade e cumpriu seu papel de me levar ao mundo de outra pessoa e refletir sobre o meu próprio, a vida, quem eu sou e quero ser. Com certeza não sou mais a mesma depois de lê-lo com seriedade (sim, acho que preciso de uns antidepressivos depois dele! rs) e isso conta.

"Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho."
[Rodrigo S.M - pág. 11]

Decidi então levar em conta a qualidade da leitura e estas questões, mas também o meu próprio gosto, porque eu leio e gosto de ler porque é uma diversão e um escapismo do meu mundo real, com muitas alegrias e amores sim, mas também com muitas obrigações, problemas, decepções e frustrações e essas duas coisas o livro não cumpriu, então ele fica com três estrelas e você me conta ai nos comentários o que achou dessa minha interpretação doidona e o que você pegou dele quando o leu! Gostaria muito de te "ouvir"!!

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