Resenha #55: O céu está em todo lugar | Jandy Nelson

Autora: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 424
Tradução: Marsely de Marco Martins Dantas
Skoob: 4/5


Sinto a sua falta e não suporto o fato de que você vai deixar de fazer tantas coisas. Não sei como o coração suporta isso. 
[Lennie, p. 416]


Bailey morreu há um mês. O mundo de Lennie desabou naquele segundo. Sua melhor amiga, seu outro eu, sua irmã amada, foi embora para sempre. Lennie então se fecha para o mundo que não entende sua dor, que continua a funcionar normalmente depois dessa tragédia.Toby, (ex-?) namorado de Bailey, parece entender toda a dor envolvida e logo eles passam a compartilhá-la de um modo bem estranho.

Ao voltar à escola, Lennie tem que se acostumar com a vida que continua sem a irmã e com os olhares de pena que a acompanham pelos corredores. Na banda da escola, conhece o novo integrante, Joe Fontaine. Lindo, com um sorriso que parece eterno em seu rosto e um músico maravilhoso, ele conquista Lennie facilmente e parece preencher muitos dos momentos vazios deixados pela morte de Bailey. Sua alegria ininterrupta a intriga e contagia, até que os dois começam um romance delicado e cheio de música.


Lá eu declaro que pertenço a ele. Lá eu afirmo que meu coração é dele. Lá eu declaro que ouço a alma dele em sua música.... Vou pular de um prédio. Quem fala coisas desse tipo no século 21? Niguém!! 
[Lennie, p. 395] 

Mas Lennie guarda um segredo terrível de Joe e de todo mundo, um segredo envolvendo Toby que será difícil de explicar e quase impossível evitar suas consequências.

O céu está em todo lugar foi um livro muito difícil de classificar e foi mais ainda de resenhar. Ele basicamente aborda o luto e as formas diferentes que ele afeta os que ficaram. O que restou da família Walker: Vovó, Tio Big e Lennie, se quebrou com a morte de Bailey e todos têm que descobrir quem são agora sem ela e como voltar a tocar suas vidas. Principalmente Lennie. Além da forte ligação com a irmã, o livro nos mostra que Lennie vivia na sombra de Bailey sem se dar conta disso.


É como se alguém tivesse aspirado o horizonte enquanto estávamos olhando para o outro lado.
[Lennie, p. 12]

Para dizer a verdade, apesar do conflito principal ser bem importante e centrado em Lennie, não gostei da personagem: ela é muito confusa, enrola para resolver seus problemas e parece que sempre “escolhe” ficar em segundo plano, ao mesmo tempo que ignora as consequências que suas ações provocam nas pessoas à sua volta.

Um drama delicado e cheio de sentimentos a cada página. Uma das coisas que mais gostei na narração é que é muito fácil mergulhar na história e nos sentimentos de Lennie. A Mari tinha me aconselhado a ler com calma e devagar. Infelizmente, não consegui seguir o conselho e me arrependo, porque o bom era ficar muito tempo lendo o livro e desvendando aos pouquinhos a história e os conflitos dos personagens.

Recomendo o livro para quem gosta de romance, de ler sobre os vários sentimentos humanos e de delicadezas, como a linda diagramação do livro!




Quando volto para o Refúgio, sou pega por um desejo tão urgente que preciso cobrir a boca para reprimir um grito. Quero que Bails esteja deitada em sua cama, lendo. Quero contar para ela sobre Joe, quero tocar essa música para ela. Quero a minha irmã. Quero jogar um prédio em cima de Deus.
[Lennie, p. 233] 




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