janeiro 17, 2016

por Danielli Guirado

Resenha: Americanah {Chimamanda Ngozi Adichie}

Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Cia das Letras
Páginas: 513
Nota Skoob: 5/5
Comprar: Amazon



"Não acredito! Meu presidente é negro como eu!"


[Dike primo de 16 anos de Ifemelu - pág. 389]



Depois que li Sejamos Todos Feministas da Chimamanda, fiquei doida para ler tudo dela! Mas sempre fico "esperando" terminar os livros que tenho em casa para ler antes de comprar novos e acabei adiando. Mas aí a Naty Neris querida me indicou muuuuuito Americanah e como a oportunidade faz a consumista de livros, comprei sem pensar duas vezes quando ele apareceu na minha frente em uma livraria! ahahaha

Em Americanah, Chimamanda conta a historia de Ifemelu e Obinze. Eles vivem em Lagos, na Nigéria e a história começa acompanhando Ifemelu já adulta nos EUA, terminando seu relacionamento com um Professor de Yale e decidindo voltar para Lagos depois de 13 anos na América. Enquanto isso Obinze está em Lagos, muito rico, casado e com uma filha numa vida que, aparentemente, não o satisfaz.


"As pessoas sempre lhe diziam o quanto ele era humilde, mas não estavam falando de humildade de verdade, apenas que não ostentava o fato de fazer parte do clube dos ricos, não exercia os direitos que isso trazia - de ser grosseiro, de não pensar nos outros, de ser cumprimentado em vez de cumprimentar."
[Obinze - pág. 41]

Com flashbacks complementando o tempo presente e alternando a narrativa do narrador onisciente entre Ifemelu e Obinze, Chimamanda vai nos contando a história de ambos e de que forma estão ligados de um jeito que não cansa e não fica confuso! Sem contar que ela te arrebata totalmente com estes personagens desde o primeiro momento! ❤️ Amei tanto, tanto, tanto este livro que tenho certeza que ele será aquele tipo de livro termômetro de outros romances e vou começar a ficar exigente com as minhas leituras!! hahaha

"Você está num país que não é o seu. Faz o que precisa fazer se quiser ser bem-sucedido."
[Tia Uju - pág. 131]

À parte o romance, me encantou também conhecer, pela primeira vez na vida, uma partezinha da Nigéria e seus costumes. Foi tão legal ter coisas tão novas para descobrir além do destino dos personagens! Quando leio os romances americanos e britanicos que tanto gosto, ainda tem um gosto de familiaridade, de tema "batido", afinal cresci com estas influências, e neste livro tudo era novo! Apesar que em muitos momentos, quando eram descritos costumes, infra-estrutura e sociedade em geral, muitas coisas me lembraram muito o Brasil. Se eu explicar com detalhes, vai soar raso, então só lendo para entender o que estou falando!!


"Pessoas do Terceiro Mundo olham para a frente, nós gostamos que as coisas sejam novas, porque o que temos de melhor ainda está por vir, enquanto no Ocidente o melhor já passou, então eles têm que transformar esse passado em um fetiche."
[Obinze - pág. 470]

Como grande parte da história de Ifemelu se passa nos EUA, o paraíso dos nigerianos no livro (uma das coisas que me lembraram o Brasil. Apesar de hoje isso estar um pouco menor, eu tenho a impressão), Chimamanda aborda bastante o xenofobismo e principalmente o racismo em sua estória.

Gostei muito do jeito como ela chama a atenção e informa o leitor dessa realidade. Ela inseriu na vivência dos personagens, em seus pensamentos e diálogos para irmos descobrindo os absurdos junto com Ifemelu, porque, conforme ela fala no livro: "Eu não sabia que era negra até chegar nos EUA". Tanto que ela cria um blog para falar de suas impressões como "Negra Não Americana" e o blog faz um super sucesso além de ter sido um recurso genial para abordar no livro questões que não caberiam dentro da história sozinha, mas que totalmente a complementam!

"O racismo nunca deveria ter acontecido, então você não ganha um doce por ele ter diminuído."
[Ifemelu em seu blog - pág. 331]

E como me identifiquei com o livro, hein? Chimamanda reforçou e me mostrou bons argumentos de coisas que eu já acreditava, mas não sabia como argumentar a favor (a articulação e a boa oratória ainda são bem deficientes em mim, infelizmente!). E foi por tudo isso que me identifiquei: porque vários discursos racistas que li no livro que acontecem nos EUA, acontecem igualzinho aqui também, "o país da miscigenação", infelizmente.


"A raça não existe realmente para você [que é branco], pois nunca foi uma barreira. Os negros não têm essa escolha. O negro que mora em Nova York não quer pensar em raça, até que tenta chamar um táxi, e não quer pensar em raça quando está dirigindo sua Mercedes dentro do limite de velocidade, até que um policial o manda parar."
[Blaine - pág. 375]

O livro me enlevou e emocionou demais e recomendo muito a leitura para todo mundo, desse que já tá no pódio dos melhores de 2016!




Mais trechos favoritos!


"Ela não dava importância a pernas esbeltas exibidas numa minissaia - era fácil e seguro, afinal, mostrar pernas que tinham a aprovação do mundo -, mas o ato da mulher gorda tinha aquela convicção silenciosa que alguém divide apenas consigo mesmo, uma noção do que é certo que os outros não podem ver."
[Ifemelu - pág. 14]

"Por que era um elogio, uma realização, soar como uma americana? Ifemelu tinha ganhado...mas seu triunfo era vazio."
[pág. 191]

"Será que era uma qualidade inerente das mulheres, ou será que elas simplesmente aprendiam a blindar seus arrependimentos, suspender suas vidas, anular-se na criação dos filhos?"
[Obinze - pág. 264]

"Lamentou não acreditar no demônio, um ser exterior a você que invadia sua mente e fazia com que destruísse aquilo que amava."
[Ifemelu - pág. 313]

"Aliás. será que a gente pode banir as perucas afro no Halloween? O afro não é uma fantasia, pelo amor de Deus."
[Ifemelu em seu blog - pág. 322]

"Nos EUA, você não decide de que raça é. Isso é decidido por você. Barack Obama, com a aparência que tem, teria que sentar na parte de trás do ônibus há cinquenta anos. Se um negro qualquer cometer um crime hoje, Barack Obama poderia ser detido pela polícia e interrogado por se encaixar no perfil do suspeito. E qual é esse perfil? Homem Negro."
[Ifemelu em seu blog - pág. 366]

"O que os acadêmicos querem dizer quando falam em privilégio dos brancos, ou Sim, é um saco sr pobre e branco, mas experimente ser pobre e não ser branco."
[Título de um post do blog de Ifemelu - pág. 375]







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PS.: Tô com tanta saudade que não consegui começar outro livro por um tempo!! Hahaha

Um comentário:

Obrigada pela leitura! ♥

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